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Segurança é capacidade.

  • Foto do escritor: Eduardo Machado Homem
    Eduardo Machado Homem
  • há 33 minutos
  • 2 min de leitura

Fundo roxo, logo da Do Safety e a frase Segurança Capacidade ou Zero?

Na área de segurança do trabalho, foi criado um novo dogma e questioná-lo se tornou quase uma heresia: a segurança não é a ausência de acidente, segurança é capacidade ou a presença de capacidade de gerir riscos.


Existem poucas verdades absolutas na vida, como, por exemplo, você também vai morrer um dia, o sol deve nascer amanhã, a terra vai continuar girando e se jogar uma pedra para o ar ela cairá no chão. Por isso, questionar qualquer coisa que não represente uma verdade natural é um exercício fundamental para o pensamento crítico. Venho pensando sobre essa frase e percebi que, para ela ser verdadeira, algumas condições precisam vir antes.


Para entender a profundidade disso, precisamos recorrer a Aristóteles, que na sua obra Ética a Nicômaco, escreveu: “Aquilo que se objetiva é às vezes o exercício de uma capacidade, e outras vezes algo que vai além do exercício dessa capacidade. Onde existe uma finalidade, além da ação (ou capacidade), o resultado é melhor que o mero exercício da capacidade”.


Isso quer dizer que se você deseja algo, precisa agir para chegar àquilo que se deseja. Se você quer passar no vestibular, tem que estudar. Se você quer comprar um carro, tem que trabalhar para conseguir o dinheiro. Se você deseja ter saúde, deve ter uma atividade física.


Enfim, seus objetivos requerem uma ação. E se esse objetivo estiver associado a uma finalidade maior do que você, o resultado conquistado será extremamente mais satisfatório. É isso que quis dizer Aristóteles.


A capacidade (ou o controle do risco) por si só é incompleta, pois para ser plena e total precisa de um porquê, de uma finalidade. E qual é a finalidade máxima do controle de riscos em segurança? Sim, a ausência de acidentes.


Se você se apega à frase que diz “segurança não é ausência de acidentes, mas a presença de capacidade”, mas seus indicadores de segurança não refletem o resultado real, há duas possibilidades. Ou você está contando com a sorte, e a ausência de acidentes é fruto da probabilidade agindo a seu favor. Assim como um goleiro precisa contar com a sorte nas bolas que não alcança. Ou, o mais grave, a ética está em falta: os acidentes não são reportados ou a liderança os esconde.


Para que a frase “segurança é presença de capacidade” seja uma verdade na sua empresa, e não um mero proselitismo, é preciso um comprometimento ético total com o reporte de acidentes e incidentes, engajamento transparente da liderança e uma gestão de riscos plena a partir do uso de ferramentas como Análise de Risco de Atividades, o Bloqueio de Energia e Permissões de Trabalho.


Se você diz que na sua empresa a segurança é a presença de controle, mas os líderes não estão engajados, a gestão de risco é burocrática e os acidentes não são reportados, o que você está afirmando, na realidade, é que você está maquiando os indicadores e contando com a sorte. Não é só a placa de “zero acidentes” na portaria da fábrica que maquia indicador de acidentes.


O problema, então, não é definir o que é segurança, mas fazer segurança. Nossas ações precisam ir além do mero exercício da capacidade. A finalidade precisa ser a melhor possível: a vida e a integridade das pessoas.

 
 
 

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