HOP: Um desafio além do que você pensa.
- Eduardo Machado Homem
- 17 de nov.
- 2 min de leitura

A cena típica de um filme de super-herói é aquela em que tudo está perdido e quando a humanidade não tem mais como se defender de um vilão maligno, surge o herói com seus superpoderes para resolver tudo, mesmo que ele se machuque um pouquinho.
Quem nunca ouviu a história de um colaborador que, num dia de atrasos de produção ou de um problema que ninguém conseguia resolver, deu um jeito misterioso e, num golpe de gênio e esforço que ninguém sabe como foi, conseguiu "salvar o dia"?
Essa pessoa é o símbolo clássico da Cultura do Herói, o indivíduo que não planeja, mas já sabe como improvisar, executar e resolver. Se dá certo, o mérito é dele, o salvador. Se dá errado, o processo de investigação é acionado. Pode parecer irônico, mas esse ciclo vicioso é a realidade em muitas organizações.
A admiração pelo herói é, na verdade, uma falha cultural profunda. O senso comum de que nós, brasileiros, não planejamos, que sempre temos um jeitinho ou conhecemos alguém que tem um “esquema” ou sempre começamos a atividade pela execução, tem raízes longas e complexas, que talvez remontem à mentalidade da época dos capatazes: fazer, não pensar. Em quatro séculos de história, remover essa mentalidade de "fazer o que é mandado" não é simples. E muitas organizações ainda são geridas sob essa ótica.
A falta de planejamento gera retrabalho, desperdício de recursos e dissemina a cultura do improviso, em que a agilidade descontrolada é mais valorizada do que a precisão e a segurança. É neste cenário que o colaborador ansioso pelo reconhecimento social e do chefe parece como o herói premiado por cobrir uma falha que, na verdade, foi criada pela própria ineficiência do processo ou pela falta de planejamento.
O esforço gasto para salvar o dia, se tivesse sido investido no planejamento, teria evitado o "incêndio" e gerado economia real de tempo e dinheiro.
A única saída verdadeira deste ciclo vicioso é o conhecimento. Quando as pessoas recebem conhecimento sobre o planejamento, elas percebem que sua influência sobre o objetivo é real e que, se pensarem antes de executar, podem dedicar menos esforço, menos tempo e, ainda assim, fazer melhor.
Mas há um problema nisso: pessoas conscientes questionam mais. E questionamento, nem sempre, é bem-vindo, principalmente em ambientes onde a cultura do medo é forte.
Gestores que não gostam de ser questionados, especialmente por aqueles que estão abaixo na hierarquia, têm um medo profundo de perder relevância ou, no mínimo, também têm medo do andar de cima, assim como o andar de baixo tem medo do gestor. Enfum, a ultura do medo não tem fronteira ou limite, atinge toda a hierarquia. A mudança exige que o líder esteja preparado para ser desafiado, para ter sua opinião e seu método revistos.
É importante mostrar para as pessoas que elas podem e devem planejar, reportar e questionar, mas antes, é imperativo que preparemos os líderes para receber o questionamento, para aceitar o desafio e para, finalmente, aposentar a figura do herói. A verdadeira liderança não é ser o salvador, mas sim, construir um sistema tão robusto que não necessite de um.
Agora você entende que o desafio de trabalhar a filosofia HOP vai muito além de entender seus conceitos? A filosofia HOP é um desafio além do que você pensa.