A formação do líder em segurança como gestor de pessoas.
- Eduardo Machado Homem

- há 6 dias
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Frequentemente, a liderança é a maior responsabilizada pela pouca priorização da segurança nas organizações, mas raramente questionamos como esta liderança foi formada e levada a tal posição, ou seja, estão nesta função devido à méritos técnicos e comportamentais aliados a um processo de desenvolvimento de lideranças ou são especialistas de alto desempenho que foram promovidos.
A minha experiência no meio corporativo e a urgência das organizações em produzir resultados me diz que a segunda opção é a verdadeira. Em geral, perde-se um especialista de alto desempenho e ganha-se um líder em segurança medíocre.
Em uma pesquisa informal que realizei analisando ementas de cursos de Engenharia e Administração nas principais universidades do Brasil, percebi que o tema Segurança e Saúde no Trabalho (SST) é praticamente inexistente ou tratado de forma meramente burocrática.
O líder médio chega ao mercado de trabalho com um conjunto de habilidades técnicas sobre finanças, logística e estratégia de grande relevância, mas com um vazio enorme em termos de como gerir pessoas em condições de risco. Para ele, a segurança é uma disciplina de suporte legal, algo que o SESMT resolve com o fornecimento de EPIs e treinamentos de NR. A resistência que enfrentamos, portanto, não é necessariamente uma má vontade ou índole duvidosa ou valores assíncronos com o tempo, mas um sintoma de um desconhecimento profundo sobre o papel da liderança na proteção da vida.
Quando tentamos trabalhar a percepção de risco, por exemplo, nas organizações, muitos líderes resistem porque não entendem que a maior parte das decisões de seus liderados são automáticas e influenciadas pelo contexto. Eles acreditam na falácia da mente na tarefa como controle absoluto, quando a neurociência prova que a atenção é um recurso escasso e disperso, ou seja, o mantra “preste atenção” não faz tão sentido como gostaríamos. Sem a base teórica adequada, o líder tende a culpar o trabalhador pelo erro gerado a partir da previsível falta de atenção, em vez de enxergar as falhas no processo e nas rotinas que permitiram que esse erro acontecesse.
A solução para essa resistência está na orientação. Líderes não precisam de palestras teóricas, mas de discussões dinâmicas, interativas e focadas na realidade operacional. E profissionais de segurança devem preencher esse ponto cego mostrando que segurança não é um tema à parte, mas a base da excelência. A jornada para essa orientação está na rotina que, hoje, está quase que integralmente sob a responsabilidade do técnico de segurança.
Um processo seguro é um processo bem gerido. Quando o líder percebe que as ferramentas de segurança também melhoram a produtividade e a qualidade, a resistência desaparece e dá lugar ao senso de dono.



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