Os improvisos ou adaptações na segurança.
- Eduardo Machado Homem

- 19 de jan.
- 2 min de leitura

No dia a dia das operações, é comum encontrarmos aquele tipo de profissional que resolve qualquer situação ou problema que compromete a continuidade da produção ou de uma tarefa. Em geral, é alguém experiente, que conta com a confiança e lealdade da liderança e costuma ser um dos primeiros a ser informado quando uma máquina para. Esse profissional não costuma contar com a ajuda de manuais ou procedimentos, pois já tentou fazer de tudo, acertou, errou e, muitas vezes, conseguiu resolver problemas importantes para a liderança.
Nossa cultura tem o hábito de premiar essa proatividade com elogios, promoções e lealdade. Essa é a base da cultura do herói, a ausência de uma tratativa sistêmica dos problemas e o voluntário que, muitas vezes, se coloca em risco em troca de ganhos materiais ou imateriais.
Essa figura costuma aparecer em cenários de caos operacional, quando a produção para e o processo normal falhou no restabelecimento da normalidade. O perigo reside no fato de que o herói, para salvar o dia, quase sempre precisa encurtar caminhos, improvisar ou adaptar. Ele não analisa o risco, nem é motivado a fazê-lo e confia na sua experiência para "dar um jeito". Quando dá certo, ele é aplaudido. Quando dá errado, a mesma liderança que o incentivou pode chama-lo de negligente ou ser conivente, dependendo da posição dos holofotes.
Na nossa cultura, o planejamento é frequentemente visto como burocracia ou desperdício de tempo e recurso. Atuar de forma automática acaba sendo o atalho desejado para resolver mais rápido e com menos custo, desde que ninguém se machuque ou nada de mais grave ocorra na atividade. O pior é que, muitas vezes, isso dá certo e o planejamento, que deveria servir para tirar a pessoa do modo reativo e automático, é desvalorizada e deixada de lado.
Para mudar essa situação, o líder deve mudar o que valoriza e dar destaque para o método e não apenas para o resultado. Perguntar "como você fez?" antes de dizer "bom trabalho".
Se o resultado veio através de um desvio de segurança, ele não deve ser celebrado.
Quando o aprendizado organizacional é incentivado e valorizado, o “herói” não encontra terreno para reter o conhecimento com o objetivo de ser valorizado e ser considerado indispensável como aquele que resolve tudo sozinho.
Segurança como valor exige o compromisso com o planejamento, não com o improviso, mesmo que isso custe mais tempo ou dinheiro. Mas o óbvio precisa ser dito: é mais fácil dizer do que fazer. Sem esse compromisso, o planejamento será atropelado pela urgência.
A escolha é difícil e a jornada que advém desta escolha é longa.



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