O profissional de SST como facilitador da liderança.
- Eduardo Machado Homem

- há 3 dias
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Em algumas organizações que desejam evoluir e amadurecer a cultura de segurança, os profissionais de SST passam a ser vistos de forma diferente e isso não quer dizer que eles passem a agir de uma maneira mais integradora e contributiva.
Neste contexto, a empresa, geralmente, decide implementar uma gestão de segurança baseada em normas internacionais como a ISO45000 ou padrões corporativos, começa a destinar recursos financeiros para investimentos em proteções, controles e infraestrutura relacionada à segurança do trabalho, saúde ocupacional e emergência, além de buscar estabelecer uma estrutura de pessoas mais perto do estratégico, ou seja, contrata ou promove pessoas à gerentes e coordenadores de SST.
Tudo aquilo que parece contribuir positivamente para a cultura de segurança, passa a ter um efeito colateral bastante adverso. A empresa começa a atolar a área de segurança com ferramentas, rotinas e controles administrativos que a área não consegue absorver completamente. De repente, técnicos de segurança são envolvidos em reuniões e tomadas de decisão que não têm estrutura e maturidade para participar. Na incerteza de fazer ou não um bom trabalho, a equipe de SST mergulha em reuniões e roinas administrativas para dar conta do novo cenário.
E esquece do essencial e vital trabalho de campo, de apoio e suporte à média liderança nas rotinas operacionais de segurança.
O profissional de segurança passa a ter uma postura de auditor de escritório pensando que isto significa se tornar um parceiro estratégico, quando o que estes profissionais deveriam estar fazendo é estar no chão de fábrica, ajudando o líder a mudar sua percepção e aprender sobre seu papel em segurança.
A área de segurança entra, então, naquele ciclo de críticas sobre seu papel e começa a entender que precisa deixar de ter um perfil policialesco e focado em rotinas exclusivamente administrativas e fiscalizadoras para se tornar um suporte útil para as operações. O problema é que, neste momento, os profissionais estão presos à rotinas e agendas administrativas que não conseguem abandonar, simplesmente. Pela falta de suporte, muitas vezes, a liderança acaba se tornando resistente à evolução da cultura porque a segurança lhe é apresentada como uma burocracia que atrapalha a fluidez do processo e porque se sente sozinha nesse desafio de evolução, afinal a segurança não está presente.
Se o profissional de SST passa a atuar com o líder na área operacional ao invés de apontar problemas quando visita a operação e de enviar relatórios de desvios por e-mail, tudo muda. A área de segurança não pode fazer visita em campo, profissionais de segurança não são visitantes da área operacional. Sua ausência resulta em vácuo de autoridade intelectual. A área de SST deve retomar rotinas operacionais para que sua presença em campo seja percebida como algo natural, assim como a presença do líder ou do próprio operador e dos equipamentos.
A conscientização da liderança se fará pela presença do profissional de segurança junto com o líder na operação. Ao assumir o papel de facilitador no local de trabalho, o profissional de SST demonstra que a segurança é uma alavanca de resultados e não um muro a ser evitado.



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