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A terceirização da segurança

  • Foto do escritor: Eduardo Machado Homem
    Eduardo Machado Homem
  • há 1 dia
  • 2 min de leitura

Em linhas gerais, a terceirização em uma empresa deveria ocorrer naquelas atividades que não são a linha principal, o core, do negócio. Em outras palavras, todas as atividades e processos que não estiverem conectadas diretamente com a geração de caixa, ebitda ou margem para a organização, pode ou deve ser terceirizada.


Às vezes, não é isso que acontece. Há extremos em que a terceirização acaba se tornando um flerte perigoso com a precarização, ou seja, o único benefício perseguido é a redução de custo em termos de remuneração, benefícios e condições de trabalho. Como diz o ditado: é raro, mas acontece muito.


Ainda assim, com trabalhadores terceirizados tendo remuneração bem menor do que os empregados próprios, acesso a benefícios de forma restrita, tendo um nível de supervisão mais agressiva e condições de trabalho precarizadas, espera-se que o engajamento em segurança seja elevado, porque, afinal, segurança é um valor.


Como disse, a terceirização é uma estratégia viável e deve ser considerada seriamente para que as empresas possam concentrar sua energia e seus recursos naquilo que ela sabe fazer bem. No entanto, terceirizar a execução de uma atividade nunca deve significar terceirizar a responsabilidade com a vida humana.


Em culturas organizacionais com níveis de maturidade patológicos ou reativos em segurança, a segurança na contratação de terceiros não é uma prioridade e o custo acaba se tornando o fator determinante da escolha. Nesses ambientes, os problemas de segurança são tratados como sendo de inteira responsabilidade do contratado e o discurso falacioso da segurança como um valor ou do cuidado ativo cansa e deixa as pessoas descrentes.


Neste cenário, a única ferramenta de gestão de pessoas que funciona é o medo de represálias relacionadas à empregabilidade das pessoas, porque existem pessoas honestas que contam com o salário de um emprego legal para se sustentar e prover à família. Usar isto como subterfúgio de gestão de um negócio é condenável e muitas empresas ligadas ao ramo de serviços diretos ao consumidor final já sentem a dificuldade de contratar. As empresas que precisam de pessoas especializadas em atividades de alta complexidade, idem.


Para que a terceirização seja verdadeiramente uma estratégia de negócio, a gestão de riscos e a proteção à vida devem sair do discurso e ir para a prática. Focar no seu negócio principal só é sustentável quando a segurança dos seus prestadores de serviço evolui junto com a sua empresa.

 
 
 

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