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O Aprendizado Como Força Motriz da Segurança

  • Foto do escritor: Eduardo Machado Homem
    Eduardo Machado Homem
  • 22 de set. de 2025
  • 3 min de leitura

Logo da Do Safety com os dizeres "Aprendizado na Cultura de Segurança"

Costumamos identificar como "punição" tudo aquilo que não se encaixa dentro do que acreditamos que seja aprendizado quando um erro acontece. Mas é importante identificar melhor do que estamos falando quando tratamos de "punição". é a advertência verbal ou escrita e a demissão, mas também é a reciclagem do treinamento, a obrigação de realizar um DDS, a exposição pública ou velada do erro e outras coisas que podem expor o erro e a pessoa que errou de uma maneira negativa.


A orientação para um determinado comportamento em função do receio de uma consequência negativa ou da busca por algo que traga um benefício é um traço do ser humano e seria leviano negar isso. Estamos expostos a este tipo de comando e controle todo o tempo, no radar de velocidade, nas câmeras de CFTV, na presença de força policial ou segurança privada, enfim, faz parte da sociedade como a concebemos.


O grande problema disso tudo está no efeito colateral indesejado da "punição": comunicação ruim em função de uma informação negada pelo receio da própria punição.

E é um fato que a "punição" é e continuará sendo uma das opções do cardápio de gestão de pessoas. A questão que importa é quando acaba sendo a única opção ou a principal ferramenta para garantir a disciplina e a segurança no ambiente de trabalho. Como já dito, a ideia de que o medo pode suprimir um comportamento indesejado é antiga, mas a pesquisa no campo do comportamento humano demonstra que a punição é um ato de controle, não de educação.


Embora possa gerar conformidade momentânea, ela não tem o poder de gerar uma mudança real e duradoura na cultura da empresa. A verdadeira evolução da segurança começa quando o foco muda da punição para o aprendizado.


Ao invés de perguntar “quem fez isso?”, uma abordagem de aprendizado se concentra em “o que o sistema fez para que isso acontecesse?”. O comportamento de uma pessoa é sempre um reflexo do contexto em que ela está inserida. A verdadeira análise de falhas investiga o sistema, não a pessoa, buscando entender as condições que levaram ao erro.


A ideia de que um acidente grave é resultado de um único erro, a "ponta da agulha", é perigosa e falsa. A maioria das falhas graves é resultado de uma combinação de fatores e falhas sistêmicas, como uma série de fios pendurados em um boneco de madeira, onde cortar um único fio faria o boneco cair. Em vez de cortar o fio (culpar uma pessoa), a abordagem correta é consertar a estrutura inteira. É preciso olhar para a complexidade e a interconexão de fatores que contribuíram para o acidente.


A cultura do medo e da punição não gera confiança. Pelo contrário, ela incentiva a omissão e a subnotificação de erros, pois a equipe tem medo de ser punida. Quando a equipe sabe que pode reportar um erro sem medo, a organização tem acesso a dados valiosos para aprimorar seus processos, e a confiança se torna a moeda mais valiosa na segurança. É nesse ambiente de confiança que o aprendizado floresce e a melhoria contínua se torna parte da rotina.


A mudança de uma cultura punitiva para uma de aprendizado é um processo que exige liderança e uma reavaliação de valores. É preciso reconhecer que o erro é uma oportunidade de aprendizado e que a segurança não é uma questão de obediência, mas de colaboração e aperfeiçoamento constante. Ao priorizar a análise do contexto em vez da busca por culpados, as empresas não só constroem um ambiente mais seguro, mas também mais justo e produtivo.

 
 
 

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