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A liderança e os desafios em segurança.

  • Foto do escritor: Eduardo Machado Homem
    Eduardo Machado Homem
  • 12 de jan.
  • 2 min de leitura

Fundo azul claro. Logo da do safety. Liderança , os desafios em segurança.

O Brasil possui uma característica singular e, por vezes, dolorosa em sua formação social que reflete diretamente no chão de fábrica: fomos o último país das Américas a abolir a escravidão. Esse fato não é apenas uma nota de rodapé nos livros de história, é também um alicerce de muitos dos nossos modelos de gestão atuais. Por 400 anos, o trabalho foi estruturado em função do dilema da obediência forçada e da supervisão. No centro desse sistema estava uma figura cuja única função era garantir a execução através da vigilância e da punição física ou psicológica. O pensamento era um privilégio e ao trabalhador  restava apenas o movimento mecânico.


Quando analisamos a cultura de segurança nas organizações brasileiras hoje, percebemos que esse sistema ainda sobrevive de forma mais sutil e evoluída. Muitos gestores, sem perceber, atuam como era há 400 anos e não buscam entender por que um processo falhou, mas como o trabalhador pode ser culpado pelo que aconteceu. Essa herança gera o que chamamos de "Cultura do Legalismo", uma crença cega de que, se houver leis e punições rigorosas o suficiente, o comportamento mudará. No entanto, a ciência do comportamento, como defendido por Skinner e Foucault, já provou que a punição apenas ensina a pessoa a não ser pega ou orienta o comportamento no curto prazo, mas nunca a educa sobre o valor da própria vida.


O líder precisa mergulhar em uma transição para uma cultura de segurança madura que exigirá dele o abandono definitivo dessa postura. O líder precisa deixar de ser o vigilante para se tornar aquele que fomenta o aprendizado.


No ambiente de trabalho atual, o líder não detém todo o conhecimento, afinal é o operador que está na máquina há 18 anos e que possui um saber tácito que o líder jamais terá. O líder precisa reconhecer isso e dialogar para aprender.


Antes, o chefe mandava fazer, mas agora isso não funciona tão bem quanto antes. Vale mais dizer que "fazemos assim porque este bloqueio de energia garante um trabalho mais seguro" para despertar a consciência sobre o risco real e a proteção coletiva.


Pessoas conscientes questionam mais e isso, de certa forma. Ameaça o líder que não quer fomentar o aprendizado, mas mandar. Por outro lado, a maturidade do líder pode ser fortalecida, pois uma equipe que questiona é uma equipe que não aceita o risco por complacência.


O desafio da mudança cultural em segurança não acontece com um treinamento de 8 horas. Exige esforços contínuos e incessantes. Para o líder devemos dedicar 90% do esforço, afinal ele é o espelho da cultura e o principal motor desta mudança. Se ele tolera o improviso para bater a meta de produção, ele está reafirmando a cultura que valoriza o resultado acima do ser humano. A segurança só se torna um valor quando a liderança entende que a integridade física é a base da excelência operacional, e não um obstáculo a ela.

 
 
 

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