A mensagem de segurança que convence.
- Eduardo Machado Homem

- 11 de ago. de 2025
- 2 min de leitura

É uma prática comum, e certamente necessária, em qualquer programa de gestão de segurança do trabalho, apresentar dados precisos, estatísticas detalhadas de acidentes, gráficos de tendências e relatórios de desempenho de segurança. Esses números fornecem uma base lógica para a tomada de decisões.
No entanto, a experiência prática em segurança mostra que nem mesmo a informação mais precisa torna convincente o que dizemos quando o objetivo final é realmente engajar, motivar e, fundamentalmente, mudar o comportamento de uma equipe em relação à segurança. Para que a mensagem de segurança que convence não apenas seja ouvida, mas ressoe e se traduza em ações concretas e duradouras no dia a dia, é importante que usemos abordagens e ideias que todos entendam. Isso significa ir muito além do jargão técnico, das normas regulamentadoras e das métricas, buscando uma forma de comunicação que toque o lado humano, emocional e prático de cada colaborador.
A argumentação baseada puramente em conhecimento técnico, por mais exato, complexo e fundamentado que seja, não é suficiente para provocar uma mudança comportamental significativa ou para solidificar uma cultura de segurança genuína.
As pessoas, em sua essência, são movidas por narrativas, por exemplos vívidos que podem visualizar e contextualizar em suas próprias vidas, e pela compreensão clara e pessoal de como as medidas de segurança impactam diretamente seu bem-estar individual, a segurança de suas famílias e a continuidade de sua carreira. Em vez de simplesmente afirmar a importância de um Equipamento de Proteção Individual (EPI) por meio de um manual técnico, por exemplo, mostre de forma impactante o que pode acontecer na ausência dele, utilizando cenários reais (ou muito próximos da realidade) e exemplos que sejam imediatamente relacionáveis com a experiência do trabalhador. Não se trata de mostrar imagens e vídeos de acidentes ou de lesões que horrorizam, pois isto é apenas mau gosto, mas de fazer com que a informação seja visualizada através de exemplos práticos.
É vital estabelecer uma conexão genuína com a experiência diária das pessoas, validar suas preocupações, ouvir atentamente seus feedbacks e demonstrar uma empatia sincera.
Entenda que as pessoas que estão mais próximas do contexto real dos trabalhadores compreendem melhor as dificuldades do que aquelas que estão distantes. E não é sobre proximidade física de que se trata, mas de entender a realidade ao invés de intuí-la. A proximidade com a realidade operacional do trabalhador, a capacidade genuína de se colocar no lugar dele, de entender seus desafios e de comunicar-se em uma linguagem que ele não apenas entenda, mas que também confie e se identifique emocionalmente, são as verdadeiras chaves para uma comunicação eficaz em segurança do trabalho. A credibilidade não se constrói apenas na exatidão inquestionável dos números ou na autoridade da norma ou no fundamento científico, mas primordialmente na relevância da mensagem e na empatia e autenticidade de quem a transmite. Se fosse diferente, ideias falsas como o terraplanismo não seriam tão difundidas.
É através dessa conexão humana genuína que a segurança deixa de ser percebida como uma mera obrigação imposta e se transforma em um valor intrínseco, uma escolha consciente e um compromisso pessoal por um ambiente mais seguro para todos.


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