A consciência em segurança pelo contraste com o risco.
- Eduardo Machado Homem

- 15 de set. de 2025
- 2 min de leitura

A conscientização em segurança muitas vezes falha por focar apenas no que é certo.
Manuais extensos, palestras sobre boas práticas e cartazes com regras de segurança são importantes, mas não são suficientes para gerar uma mudança real de comportamento. A razão é simples: a luz só tem sentido quando se conhece a escuridão.
Da mesma forma, a consciência de segurança só se manifesta em contraste com o risco. Para que o comportamento seguro se torne uma escolha óbvia, é preciso mostrar o que é inseguro, o que é perigoso e quais são as consequências de uma ação de risco.
Mostrar um ambiente seguro não é suficiente para a mudança. Para gerar uma consciência real, é necessário mostrar o contraste, comparando o risco com a segurança. Ao ver um "antes e depois", com fios espalhados em uma área molhada e depois os mesmos fios organizados e o chão seco, a equipe visualiza o perigo de forma imediata e a importância de um ambiente seguro se torna inegável. A consciência de segurança não nasce de manuais, mas da visualização clara do que precisa ser corrigido ou melhorado.
Essa abordagem não se limita apenas a ambientes físicos. Ela também se aplica ao comportamento. Em vez de simplesmente dizer "use o EPI", é mais eficaz mostrar as consequências de não usá-lo, quando usá-lo, porquê usá-lo e sempre contrastando o risco da exposição com a segurança da proteção. Essa técnica, também conhecida como "Consciência pelo Contraste", fortalece o aprendizado e a retenção da informação.
A consciência também não deve ser imposta. Ela é construída em conjunto.
O verdadeiro engajamento acontece quando todos são parte da solução. Líderes e gestores devem fazer perguntas à equipe, incentivando-os a identificar perigos e propor soluções. Quando a equipe participa ativamente da identificação de riscos, a segurança deixa de ser uma regra imposta e se torna uma responsabilidade compartilhada.
A cultura de segurança é uma via de mão dupla, onde a liderança e a equipe colaboram para criar um ambiente mais seguro para todos. O líder, nesse contexto, deve ser o exemplo. Sua conduta, suas atitudes e decisões, que demonstram os comportamentos seguros publicamente, são a força motriz por trás da mudança cultural e a garantia de que a segurança é um valor inegociável.


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